Fibra, filamento e seda: qual a diferença?

Fibra, filamento e seda: qual a diferença?

No universo da moda e dos tecidos, muitos termos a gente conhece e usa bastante, mas às vezes não consegue diferenciar os conceitos, e é sobre isso que vamos falar neste post, que aborda a fibra, o filamento e a seda. Vem com a Terra Têxtil aprimorar seus conhecimentos!

Vamos começar falando de fibra e filamento. A fibra têxtil é exatamente a matéria-prima fibrosa que é a base para a fabricação de qualquer tecido, e nesse processo, as fibras são transformadas em fios por meio do que chamamos de fiação. Assim, os fios podem ser diferentes entre si de acordo com o comprimento das fibras, e é nesse ponto que entram os filamentos, que se diferem dessas fibras devido à ordem de grandeza desse comprimento e das diferentes composições. As fibras podem ser, por exemplo, longas como na seda ou curtas como no algodão e na lã, e podem também ser classificadas como fibras naturais, sintéticas e orgânicas, de origem animal, vegetal e mineral, e ainda como fibras não naturais.

blog_Fibra_01Falando um pouco mais sobre as fibras naturais e não naturais, as primeiras são retiradas da natureza, com origem nos animais, nos vegetais e nos minerais, obtidas a partir de sementes e frutos, do caule, das folhas, dos pelos, das secreções dos animais e dos minerais como crisotila e amianto. Já as fibras que não são retiradas prontas do meio ambiente são as não naturais, obtidas a partir de polímeros que são moldados em forma de filamentos, resultando nas fibras do tipo artificial e sintética; as artificiais são produzidas pelos homens usando polímeros originados de células e proteínas, e os exemplos são a viscose, o acetato e o lyocel; e as fibras sintéticas também são criadas pelas pessoas, porém a partir de produtos químicos da indústria petroquímica, como o poliéster, a poliamida, o acrílico e o elastano.

O insumo básico da atividade têxtil é a fibra ou o filamento têxtil, todo elemento natural ou químico cujas características de flexibilidade, suavidade, capacidade de isolamento térmico e de absorção, elasticidade, resistência e alongamento o tornam apto a aplicações como tecidos. Assim como as fibras, os filamentos podem ser contínuos ou cortados, sendo também muito finos e alongados, e a diferença básica entre a fibra e o filamento reside no seu comprimento.

blog_Fibra_02Contando um pouco da história da fibra têxtil, especialmente as sintéticas, surgiram na época da revolução industrial, e ganharam destaque após as estratégias bélicas, tendo seu uso consolidado a partir da década de 50. Com composição baseada em combinações entre átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio, fibras como a poliamida e o poliéster, foram desenvolvidas para substituir a seda dos para-quedas por um material mais barato, e em seguida foi democratizado na produção de meias e roupas que, além de não serem caras, eram mais duráveis e não amassavam.

A seda como fibra diferencial

É bem verdade que, com o avanço da tecnologia e as descobertas do mundo da moda, as fibras naturais e sintéticas funcionam além de suas diferenças, e são combinadas entre si nas tecelagens para dar origem a uma infinidade de tipos de tecidos, com texturas e caimentos perfeitos, e cada vez mais os laboratórios se esforçam para fazer com que as fibras artificiais tenham características mais próximas das que são originadas da natureza. A diferença fundamental entre uma fibra química e outra natural diz respeito, entre outras coisas, ao seu tamanho – as fibras naturais são curtas, com exceção da seda, enquanto que as químicas provêm de um filamento contínuo.

blog_Fibra_03Por falar em seda, vamos saber um pouco mais sobre esse sofisticado tecido?

O filamento que dá origem à seda é obtido nos casulos das lagartas de três diferentes maneiras: a natural é resultante da produção do bicho-da-seda e é extremamente macia; a cultivada é fiada pelo mesmo bicho-da-seda, porém criado em estufas, e também pela mariposa; e a silvestre, que é natural mas possui menos brilho devido à alimentação diferenciada da lagarta, sendo utilizada com outras fibras . Em um contexto histórico, conta-se que a seda tem origem no extremo Oriente há mais de 4000 anos, acreditando-se ter sido descoberta pela imperatriz chinesa Hsi Ling, no ano 2640 a.C, em casulos localizados em uma amoreira que podiam ser desenrolados para se encontrar uma fibra fina, pronta para ser tecida. No Ocidente, a seda foi introduzida quando os chineses vieram nas caravanas mercantes, e até hoje a grande parte desse tecido vem da China, valendo destacar que o Brasil é também um dos maiores produtores e exportadores de seda do mundo.

blog_Fibra_04A fibra da seda tem como propriedades ser térmica e conservadora de calor, ser flexível, não deformar ou amassar com facilidade, ter boa recepção para receber tinta, não sujar com facilidade, ter boa elasticidade, ter toque macio e liso, e ser de difícil combustão; esse tecido é considerado como a mais forte fibra natural e apresenta baixa condutividade e alta absorção, o que resulta no isolamento térmico do corpo e evita o acúmulo de transpiração. A seda grégia ou crua, por exemplo, é composta por pelo menos três filamentos desenrolados dos casulos e podem ter mais de 60 filamentos; o crepe de seda é o fio de seda grégia excessivamente torcido; e o tafetá de seda é resultado do fio de seda desengomado, mediamente torcido, tinto e apto para tecer. A seda, assim como as outras fibras, também é misturada e combinada com outros tipos de filamentos, como poliéster e viscose, e os tecidos mais conhecidos de seda sao o tafetá, o crepe da china, o shantung, o surah, a organza e o gazar.

Quer conhecer muito mais sobre a seda e diversos outros tecidos? Continue acompanhando o blog da Terra Têxtil e, se tiver alguma dúvida sobre esse assunto, deixe um comentário para nós!

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